terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Uma doença da alma

É terça feira, não sei o dia exato do mês
Dezembro, o verão se esta iniciando
Hoje choveu uma chuva estranha
Intensa, mas que passou logo
Como fosse uma nuvem passageira
Eu limpava a casa, minha casa
E um pensamento me emboscava
Como um assassino sorrateiro
Cercando-me como uma presa
E eu como um animal indefeso não o pressentia
Ele ia circulando sempre acima de minha razão
Ou por vezes abaixo
Movendo-se em círculos
Esperando o momento de emergir
Eu limpava o chão
E como surgindo do nada
Senti uma súbita falta de ar
Um peso no corpo todo
Uma sensação extrema de mal estar
Pensei estar doente quem sabe
Um tanto incrédulo e assustado
Tossi como para expurgar aquele mau augurio,
Deixei meus afazeres por um minuto
Ainda em pé sobre o pano
Imaginando o que haveria de ser
Aquele terrível mal estar repentino
Pesquei dentro dos pensamentos
Que estavam mais a tona
A imagem de alguém
Não era alguém na verdade
Era a memória clara de um momento
Um momento no qual não pensava havia muito tempo
Estranhei-me por relembrar coisa tão remota
Meus olhos encheram-se de água
Mas não sentia o ímpeto tão pouco a vontade de chorar
A sensação persistia cada vez mais sufocante
Afastei-me da parede e andei até a porta aberta
Chovia forte e violentamente
Exatamente como naquele dia
Aquele dia de verão
Te vi sorrindo e sorri também
A sensação foi se dissipando
Quando pensei em onde estaria você agora
Nos braços de outro por certo
Faz tanto tempo
Olhei a chuva com atenção por um minuto
Vi tua imagem feliz ao lado de outra pessoa
Vi a mim também
Feliz ainda que sozinho
(talvez feliz por estar sozinho)
E decidi então chamar esta sensação de saudade
Uma saudade morta
Um estranho desejo de lembrar apenas
Como quem lembra a infância
Sem desejar que ela retorne

...

Âmago

Dentro de nós existe um porto
Cada qual com suas maravilhas e quimeras
Gosto de chamar assim este lugar secreto
Pela razão de que, nenhum porto é deserto
Por mais negro e soturno que seja
Sempre são eleitos
Alguns estrangeiros para habitar o porto dentro de nós
Eles chegam e se vão, em embarcações
Oriundas de seus próprios portos
Pois para se conquistar um lugar dentro de alguém
Devemos conquistar primeiro suas águas
Devemos lançar em mares que desconhecemos
Um pouco de nós, para que assim vejamos com nossos olhos
Toquemos com nossos dedos
Averigüemos com nossos narizes e línguas
O verdadeiro sabor que tem a água e a terra deste novo porto
A principio vê-se só a superfície
Das águas cheia de mistérios
Acobertando a natureza das areias abaixo
Ainda secretas a nossos olhos
Á conquista das águas
Pode ser imediata ou trabalhosa
Alguns mares são bravios e tempestuosos
Outros mansos e tropicais
Outros ainda salpicados de rochedos ameaçadores
Alguns tomados de correntes traiçoeiras
Às vezes quando achamos que se vê terra logo adiante
É apenas uma miragem
Um canto enganoso de sereia
Passadas as águas
Estaremos seguros enfim
Sempre cativos desse porto amigo ou amado
Devemos aprender a conviver com seus nativos
Mantendo nossos portos a eles também abertos
Dentro de ti há um porto
E teus olhos são faróis
Que chamam navios as tuas bahias ensolaradas
Tuas palavras são o mar por onde navegarão os aventureiros
Caso desejem realmente conhecer tuas areias
...

Paranóias domésticas (crônica)

100% dos acidentes domésticos acontecem dentro de casa, motivo para preocupação, obviamente, já que nos tempos modernos temos como costume morar em casas e passar grande parte do dia e da noite sentados sobre uma bomba relógio.
Claro que não paro pra pensar nisso o tempo todo, mas há coisas que por vezes me assombram os pensamentos e me roubam o sono, quando discorro sobre suas utilidades práticas e seus benefícios e peso-os contra seus inconvenientes e perigos imediatos.
Regularmente uma pessoa de saúde mental estável sente-se segura dentro de casa.
Aí é que ela se engana! Pois é necessariamente neste tipo de recinto e desse tipo de espírito ingênuo que se aproveitam estes embosqueiros assassinos.
A casa moderna esta abarrotado de armas mortais, portanto devemos estar sempre alertas. Na rua, por exemplo, corremos risco de ser assaltados, insultados dentre outras catástrofes cotidianas, porém não se corre tanto risco de ser eletrocutado queimado, esfolado, enfim, vilipendiado de qualquer forma terrível.
Claro que, dentro de nossas casas estamos a salvo de vagabundos, viciados e pessoas agressivas (via de regra), mas o que me preocupa afinal são, por exemplo, as arvores de natal... Sim estas aparentemente inofensivas decorações da data cristã são na verdade ARMAS MORTAIS, prontas a eletrocutar uma pessoa a qualquer segundo sem ao menos sentir remorso ou vergonha de tamanha vilania gratuita.
Aquelas luzinhas piscantes letalmente eletrificadas por uma corrente de 110 a 220 V não servem a qualquer propósito a não ser o de eletrocutar uma criança curiosa (me deixa ligar pai) ou um descuidado chefe de família que por ventura tenha problemas em fazê-las funcionar (considero funcionar uma palavra estranhíssima de se aplicar nesse caso, pois as mesmas não possuem qualquer utilidade).
Claro que estas representam um perigo ínfimo, por fazerem-se presentes somente no mês de dezembro perto da data comemorativa, se comparadas a outras armas mortais como: ferros de passar quentíssimos, chuveiros ELÉTRICOS, microondas com sua radioatividade invisível e geladeiras com suas repentinas crises de mau-funcionamento. E olhem que ainda nem falei dos fogões... Os famigerados cuspidores de chamas que por sua vez já asfixiaram famílias inteiras com seu invisível e sórdido combustível. Repito: FAMILIAS INTEIRAS! E não se trata de paranóia, é uma questão seriíssima. O que aconteceria se por ventura seu chuveiro de uma noite para outra (como estas ratoeiras de homens tem o hábito de fazer) decidisse apresentar um mau-funcionamento na sua simplista estrutura de aquecimento de água movida a eletricidade? (água mais eletricidade, combinação que certamente foi pensada por algum gênio malvado) quem saberia? Permaneceria um silencio funesto até que o primeiro azarado sofresse a influencia cruel e irremediável não do destino, mas sim do chuveiro. Sendo assassinado pela fulminante descarga elétrica sem nem saber o que se passou. Ou quem sabe um idoso que não conheça o correto funcionamento de um aparelho de microondas. Aquecendo metais na máquina radioativa.
Projetando toda aquela irradiação poderosa contra o aparelho e facilmente provocando um incêndio de proporções abissais! Que me dirão da empregada que esquece o quentíssimo ferro ligado sobre o veludo ou pano e causa da mesma maneira um incêndio? E da dona de casa que muito cansada esqueceu-se da boca de gás do fogão aberta?
Então meus caros, atesto que por mim, estes aparatos não são nada além de problema claro que se encontra conforto QUANDO (e somente QUANDO) estes funcionam corretamente. Mas vale a pena viver temendo a cólera dos eletrodomésticos? O que não faria uma batedeira nas mãos erradas?
Podem dizer que é paranóia, minhas opiniões são finais e insolúveis! E me encontro irredutível ao dizer que mesmo a mais singela lâmpada é na verdade o inicio da revolta das máquinas, com seus potenciais sádicos e inconcebíveis. Seus silencio e ausência de uma consciência.
(Neste instante enquanto termino de digitar o texto, meu laptop em um ato de desespero contra a expedição deste aviso tão coerente alertando do perigo que nos cerca desferiu-me um pequeno choque nas mãos, e se isso não servir como prova o suficiente, não sei o que servirá)

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terça-feira, 4 de novembro de 2008

Knight in Shiny Armor

De sonhar acordado
Algo que traga alguma sobrea segurança
De fexar os olhos
E Sentir tudo girar
Sonhar acordado
De olhos fexados
Suicidio consciente e premeditado
Esperando simplesmente
Sonhar acordado
Os pés erram os passos
Os caminhos se entrelaçam ao acaso
E enquanto meu corpo cai
E a gravidade me cola ao chão
Surge do azul um anjo
Bastardo e pagão
Que me leva pra casa
E me faz sonhar acordado
...

Francamente Veronica

I
Rá! Que banal
Cocainomano casual
A distimia te pegou hã?
Uma disfagia de verbos
Vomito em jatos, quente e fétido
Esgotaram-se os verbetes incertos...
Esgotaram-se a paciencia e a paixão...
E com um estranho humor
Letal como fel
Fez d'um dia comum
A piada mais cruel
...
II
Á tres dias já não como
Á tres meses que não durmo
Á tres anos já não fodo
Á tres horas que não fumo
Não é trigo nem joio
É uma coisa diferente
Parte aparte dessa cena deprimente
Um palhaço fumando um cigarro
Uma criança feliz sodomizada
É um vicio que faz bem
Ataques cardiacos, Bolsa de valores
Stress, suor, poeira
Carro do ano, mulher gostosa, pica grande
Qualquer coisa que faça valer a pena...
Qualquer coisa que faça o dia valer a pena...
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Apatia

Pandemia de apatia
Apatia pra todos os lados
Ninguém se importa
Esse é o bordão
O X da questão
Talvez seja melhor
Grande coisa morar na rua
Eu também tenho problemas
E eu com isso que tu ta com fome
Eu trabalho por esse dinheiro
E se alguém morre
No fim é só noticia
Aquelas senhoras de óculos grossos
Olham na TV e dizem:
-Ho Coitado!
E deu, para por ai
Amanhã tem mais um saco de mortos
E no dia seguinte mais e mais
Talvez o problema seja a comunicação
Saber demais sempre fode a cabeça
Já dizia Platão (não, na verdade não)
Pandemia de apatia
Apatia pra todos os gostos
Ninguém se importa
E porque deveria?
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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

04:43 am

E o problema talvez
Se resuma a deixar pra traz
Amar... e deixar pra traz...
De qualquer forma
Escapa a qualquer entendimento
Meu entendimento sendo "qualquer"
E é tudo tão natural
Tão natural quanto um abraço
Ou um beijo no rosto
Mas nada mais
Nada demais enfim
E fico lembrando de coisas remotas
Nada remotas
E fico pensando em como seria
Se nos entregassemos por inteiro
E amanhã nem bem soubessemos do outro
Como costumeiramente acontece
Talvez esse deixar pra traz
Seja o que impede tudo
E o "tudo" é o que deixamos pra traz
Vilipendiando a razão desenfreada de um
E acalentando o medo timido de outro
O caso é insoluvel
Como aquario e escorpião
Sagitario e touro
Virgem e leão
E do caso que seria "o caso"
Não temos noticia
É puro boato
Malicia desse povo torto
E ainda assim... não abro mão
De te ouvir dizer não
E sei que não abres mão
De me dizer não também

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domingo, 12 de outubro de 2008

Mil Cores e Mascaras (crônica)

Pintar as unhas, procedimento que leva cerca de meia hora
Isso é claro sem contar o tempo delas secarem
A cor que se escolhe tem sempre um significado
Condizente com o humor ou personalidade
A mim particularmente sempre chamaram mais atenção
As mulheres que não as pintam
Nem tampouco o rosto ou os cabelos
Essas tem um ar mais honesto e jovial (via de regra)
São como são, simplesmente
Despidas de cores espalhafatosas e irreais
E, como tudo o que é espontâneo (ou quase tudo)
São vistas como aberrantes
Há um certo preconceito
Uma revolta contra se ser o que é
Sem se preocupar com as consequências (sejam essas quais forem)
Certas mulheres não saem de casa antes de
Fazer chapinha, pintar e tingir tudo quanto se possa imaginar
Passar glitter, gloss, rimel, perfume
E desfilar porta a fora toda colorida e montada
Como um travesti, palhaço de circo ou gueixa
Vai entender.
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sábado, 11 de outubro de 2008

Preconceito (crônica)

Estamos em 2008, quase 2009 e circula mídia a fora
Um discurso super nobre, Algo do tipo: "Preconceito é babaquice, somos todos iguais."
Papo furado é claro, mas ta por ai, e agora todo mundo anda meio mascarado
Algo do tipo: "Eu não sou racista, mas beijar um negro cruuuuzes que nojo!"
Acho que no fundo preconceito é algo humano, que nem a fé
(você não vê macaco acendendo velas pra Ogum, nem cachorro rezando ave Maria)
O caso é que, até algumas décadas atrás,
Preto não entrava em igreja, e nem jogava bola no Gremio (Deus o livre!)
Bixa? Bixa era transviado, ia pro manicomio (Viva a psicologia!)
Se você for contar quantos brancos tem numa favela vai notar que não são muitos não
O mesmo calculo se aplica na contagem de quantos negros estão em Wall Street
Dando as cartas e mandando chuva.
Aponte pra mim quantos ocidentais negros chegaram a presidencia...
Aponte agora quantas mulheres chegaram a presidencia...
Igualdade é o meu caralho!
Ta tudo no mesmo lugar só o que mudou foi o discurso.
Eu por exemplo sou cheio de preconceitos!
Não gosto de crente, de gente que fuma crack, odeio funk, detesto futebol
E vomito se assistir novela ou filme dublado!
Isso sem falar em metaleiros, pseudo-intelectuais, gente rica demais, gente pobre demais
Gente que não tem dentes, gente porca, politicos, apresentadores de talk show
Pssss... a lista é interminavel!
Preconceito TODO mundo tem, quais são os seus?
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sábado, 4 de outubro de 2008

L'amour

De um dia para o outro
Concretizou todas aquelas
Inuteis e inumeras tentativas
Se via limpo, sóbreo
Nada além de sangue corria em suas veias
Nem mesmo o alcool
Aquele que fora sempre seu companheiro
Voltou a estudar
Arranjou um emprego como professor
Pensou em todas as pessoas
Que trocou pelos vicios
E sentiu-se só novamente
Não que isso fosse novo
Era um lugar comum
Para o qual retornava
Noite ou outra
-
E numa dessas
Acabou por avistar uma menina
Comum assim como ele
Não era perfeita e esbelta
Tinha uma aparencia inteligente e distante
Nada de sintético ou modelado
E ainda assim, tão bonita
E sentiu despertar derrepente
Algo a tempos perdido
Apaixonou-se instantâneamente
Sentado naquele banco de praça
Comendo o sanduíche
Que substituia o seu almoço
E mesmo notando suas resoluções
Renegando essa paixão recem descoberta
Permitiu-se a indulgencia de ama-la
Naquele isntante
Ama-la com os olhos simplesmente
Ela sentava num banco frente ao seu
Lia um livro saboreando-o
Logo se levantou e foi-se embora
Sem sequer lançar um misero olhar de despedida
-
No dia seguinte ele sentou no banco adjecente
Esperou por ela religiosamente
Ela não veio, ele permaneceu
Imaginando se fora só acaso
Dias depois encontrou-a numa festa
Em meio a amigos
Aproximou-se voraz em desespero
Somente para recuar quando sentiu seu cheiro
Sentiu os dentes trincarem ao mero odor da cocaina
Sentiu o estomago embrulhar ao inalar o odor do alcool
E sentiu o coração encolher, Como uma flor que murcha no inverno
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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Depois do Carnaval

Fiz uma lista
Pra não me perder
Nas próximas 24 horas
Chorei dormindo
E sonhei com um lugar tranquilo
Rezei três dias
Para cada dia perdido
Reguei as plantas
Para mante-las vivas até o verão
Deixei a mim de lado
E fiz tudo por um irmão
Dizem que combino com a solidão
Tem gente que não sabe ler
Tem gente que não sabe dizer não
Eu não sei dançar
E não sei ser qualquer outra coisa
Que não seja eu
...

Eu e o Céu

Perdi meu rosto
E agora tudo é pequeno
A lastima, esse olhar obceno
Não guardo
Quero o mundo aos pedaços
Sem nada de grande ou verdadeiro
O sabor da liberdade
Parece de remédio, Traiçoeiro
Um abismo
E hoje a noite sou um deus
Com meus amores certeiros
Sem nomes, telefones ou endereços
- Hoje a noite, somos só eu e o céu
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terça-feira, 23 de setembro de 2008

Diana (Dama Branca)

Eu sou a tua morte
Branca e cristalina
E te encaro com trejeitos
Dominante, Deliciosa
Me busca na distancia
Me caça pelo cheiro
Ignora a tudo o que sabe pra estar comigo
Me devorar num lépido instante
Eu sou a euforia
E te faço potente e imortal
Um Deus três vezes ungido
Senhor da guerra
Afrodite da beleza masculina
O mais sábio dos profetas
E te abandono ao sono
Antes do raiar do dia
Para que sonhes comigo de novo
Eu sou a tua morte
Numa linda e demente fantasia
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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Câncer

Me da tua mão
Toca meu rosto
Sente minha face
Já que te recusas a me ver de verdade
Me beija a boca
Sente meu veneno
Te embriaga com meu cheiro
Me chama de amigo
Me sente perto
Descansa sobre meu peito
Sou todo teu
Enquanto estiver aqui
E quando partir
Serei diferente
Tu me conheces bem
E ainda assim insiste em me ter por perto
Eu sou a tua morte
E bato na tua janela a noite
E te peço abrigo e carinho
E tu me acolhe
Estende o braço ao abismo
Somos o fim um do outro
Amantes e assassinos
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Arlequim

Que venha a hora inclemente
O ápice da loucura infante
Subto como um raio
Que fulmine
E que da dor lancinante
Brotem flores vivas
Violetas, lindas violetas brancas
E do idolo que se tornou
Toda verdade sangrou
Numa hemorragia de verbos mentirosos
Caminhei tanto meu amigo
E agora que cheguei
Me vejo ainda mais sozinho
Sei que cheguei a algum lugar
Mas esta terra morta
Era diferente em meu sonho
Vivo, e cheio de cores
Busco um caminho
Uma ponte para a eternidade
Fugir deste deserto longinquo
Na esquina
Uma sombra me chama
Quer ouvir uma mentira bonita
Me embreagar
Me levar pra cama
E um simples "não" me salvaria
Deste calvario de noites vazias

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Coleção

Sobre um armario escolhido
Com muito carinho e zelo
Há um altar povoado
De velhas paixões do passado
Uma é negra e esguia
Com os dentes bem brancos e bonitos
Mas tropeçou e ficou no caminho
Atirado como um bebado maldito
Uma tem os olhos bem verdes
E um sorriso canalha
E de tão canalha
Fugiu para praia com meu melhor amigo
Uma é mulata e infante
Cheia de perguntas estúpidas
Mas o perfume
Hum, disso nunca me esqueço
Uma é bem branca e infame
Inocente, quase um anjo
Com alguma sorte
Talvez eu seja o primeiro
Da coleção de erros na sua estante
...

Plagio

E de tanto que a amava
Terminou, esperando que
Algum arrependimento a fizesse
Recobrar a paixão que morria
Saiu do apartamento, irredutivel
Sem saber que matara aos dois
Em apenas um dia aconteceu
Algo sem concertos se quebrou
A alma o coração ou coisa que o valha
E seu silencio de tão calmo fascinava
E realmente já nem importava
Já passara a fase de se trancar no quarto
Causar preocupação
A verdade é que as coisas de uma hora pra outra
Pararam de fazer sentido
E não sentia fome ou sono
Era como se nem estivesse vivo
Seus olhos fundos davam a impressão
De um oceano, atrás de uma parede de tijolos
E toda essa dor
Não trouxe de volta a mulher
A quem abandonou ainda apaixonado
Um dia de chuva
Um carro desgovernado
E um futuro, morto no passado
...

Querida Carolina

Carolina nunca quis trabalhar
Fazia do mundo sua sala de estar
Tinha planos de ir embora
Para algum país distante
Onde pudesse sentir-se viva
Ignorava o tremendo vazio
Que a esmagava todo o dia
Estava lá, em tudo o que fazia
Já nem sequer dormia
Talvez fosse a depressão
Talvez fosse a cocaína
Talvez os dois, por que não?
Sei que despertou uma tarde
Tomada de paixão
E dos tempos morbidos
Nem restos restaram
Eo rapaz que nem 18 tinha
Também era um pleno vagabundo
Vagando só noite e dia
Sem causa, crença nem rumo
Sem lugar no mundo
E desejava derrepente
Se ver sempre refletido
Naqueles olhos tão castanhos
Em menos de um mês
Carolina o deixou
E do que era o rapaz
Nem resto restou
...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Os Anjos

Eia pombas brancas
Menssageiras do Criador
Carregando nas patinhas
Recadinhos de amor
Para suas viuvinhas
Eia Rolinha branca brincalhona
Distribuindo o afeto divino
Com suaves bicadinhas
Nas bundinhas das freirinhas
Eia Pomba negra grandona
Que voa só a noite em segredo
Roubando de mansino
A inocencia e o medo
Das noivinhas do Senhor
A cada bicadinha
Um Gemido de Louvor
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Diarréia Verbal

E que me importam teus vizinhos?
Teu trabalho? Teus Sobrinhos?
Te Cala Por favor
Juro que a mim
Isso só incomoda
Mas não!Você é tão simpatico e sociavel
Cheio de opiniões
E por que não?
Adora falar
Divagar horas e horas
Nada consistente (ou sequer consciente)
Mas que adora, Adora!
Que tal se eu fingir que me importo?
Vou ficar aqui
Mastigando minhas resoluções
E fazendo uma careta ocasional
Quando me parecer apropriado
Enquanto isso, Vai com fé!
Vomita verbos como matraca
Pros meus ouvidos Fechados
...